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27/04/2015 - "Se o menino que matou meu filho for solto, vai virar uma guerra"

Uma semana depois de receber um telefonema que mudaria suas vidas para sempre, o chapeador mecânico Alessandro Brites, 40 anos, e a dona de casa, Jucimar dos Santos Soares, 41 anos, fizeram um desabafo e um apelo.

— Espero que essa pessoa, que tirou a vida do meu filho de maneira covarde, pare e pense. Ele deve ter família também. Agora, ele está preso e uma hora vai sair de lá, mas o nosso filho ele não vai devolver — lamenta a mãe de Dian Luca dos Santos Soares, adolescente de 14 anos assassinado na Rua Ângelo Uglione por volta das 19h de sábado, dia 18.

Temendo que a morte do caçula se torne uma guerra, o pai faz um apelo à Justiça:

— Se esse menino que matou meu filho for solto, vai virar uma guerra. Um vai ficar vingando o outro e essa história não vai ter fim — alerta o pai.

Inconformados com a tragédia que se abateu sobre a família, os pais lembram do filho mais novo como um menino tímido, bem educado e querido. Jucimar lembra que Dian gostava de cuidar de animais e ir para a escola. O pai conta que o filho gostava de mexer com carros e acredita que ele seguiria sua profissão no futuro.


Antes da missa de sétimo dia, que ocorreu neste sábado, na Capela São Pedro, no bairro João Goulart, os pais contaram que o adolescente saiu de casa no sábado de tarde com o irmão de 18 anos para ir ao Centro. O mais velho voltou, e Dian ficou com outros amigos. Horas depois, a família recebeu a ligação relatando o assassinato do filho, que cursava o 7º ano da Escola Estadual Rômulo Zanchi.

Na entrevista que concederam ao Diário antes da missa, os pais contam que Dian apresentava um comportamento diferente nos últimos meses — ele estava de castigo por causa de problemas na escola. Falam sobre a rixa entre os grupos de adolescentes e alertam para medo de as brigas não terem fim.

Confira abaixo a íntegra da entrevista:

Diário de Santa Maria — Vocês perceberam algum comportamento diferente do Dian? Se ele estava andando com um grupo diferente de amigos?

Alessandro Brites — Não. É gurizada que a gente conhece, aqui de perto, da vila do lado.

Jucimar Soares — Ele estava muito distante, tinha problemas na escola. Conhecemos as amizades dele da volta, a gente não imagina com que tipo de amizade ele andava por fora. Ele não demonstrou nada em nenhum momento, estava apenas numa fase rebelde, achei que era por causa da idade. Ele não era perfeito, era um adolescente que estava numa fase difícil. A gente estava sempre conversando, explicando. Uma semana antes disso tudo acontecer, infelizmente, a gente sentou e conversou com ele e os outros dois irmãos sobre o que podia acontecer, o que a gente não queria era uma notícias dessas.

Diário — Vocês se preocupam com as ameaças que estão ocorrendo nas redes sociais?

Alessandro — Eles vão para o Facebook e ficam vangloriando a morte dele (Dian), comemorando que mataram um da outra turma. E os outros ficam revoltados. No dia que a gente estava partindo para Alegrete (onde ocorreu o enterro do adolescente), eles estavam todos reunidos ali em casa. Eu falei para eles que não quero mais outro Alessandro e outra Jucimar chorando por causa de um filho. Não quero que a mãe e o pai desse menino que matou meu filho sintam o que nós estamos sentindo. A única coisa que quero é que ele pague pelo que fez. Não vou aceitar que um juiz tire ele da cadeia para responder em liberdade porque ele (o suspeito) não tem esse direito. Se alguém fizer isso, vai estar provocando uma guerra dentro da cidade. Eles vão se revoltar e eu não vou poder segurar esses meninos.

Jucimar — Infelizmente, o que a gente está vendo todos os dias é essa junção de adolescentes. A gente não sabe o que leva eles a ter esse tipo de atitude com pessoas que eles nem conhecem. Não gosto dessa história de Facebook. Assim como ajuda, também leva a isso aí (referindo-se às provocações entre os jovens). Eu cuidava muito com quem ele andavam, quem frequentava nossa casa, para que a gente pudesse ao menos tentar evitar. Para a gente, ele (Dian) era uma criança, nosso caçulinha. Mas para alguém que está na rua, armado, disposto a fazer qualquer coisa, não sei o que acontece. Não acredito que tenha sido pessoal, vingança, porque meu filho tinha 14 anos e ele (o suspeito) tem 18. Acredito que tenha sido essa função de Facebook. Foi um ato de alguém que não parou para pensar.

Diário — O senhor enxerga essa rivalidade entre eles?

Alessandro — Eles se provocam muito. Falam que eles marcaram lugar para se encontrar (no dia do crime). Isto é mentira. Eles não marcaram. Estava ele (Dian) e mais dois amigos e lá, não sei o que aconteceu, não faço questão de saber. A única coisa que sei é que meu filho está morto e nada que eu diga vai trazer ele de volta. Não há vingança, não há nada. O único conforto que eu tenho é que quem matou meu filho está preso. Quero pedir para esses jovens que pensem bem se vale a pena colocar uma arma na cintura e sair para o Centro. No caso do meu filho, não tenho como não reconhecer que ele estava com um facão, mas ele saiu de casa sem esse facão.

Diário — Autoridades policiais, testemunhas e os próprios jovens falam que há uma briga entre bondes na cidade...

Alessandro — Para mim, é uma turma de adolescentes que quer ser mais forte que a outra, mas nada de querer assaltar. Quem comete esses furtos são viciados em crack que passam o dia no Centro e conhecem a rotina dos locais. A declaração do comandante da Brigada Militar me deixou muito revoltado. Dizer que eles (Dian e os amigos) estavam brigando por domínio do Centro para poder praticar assalto. Meu filho não era assaltante. Eu trabalho em casa e sei a rotina do meu filho. Hoje em dia, a Brigada Militar passa por um grupo de jovens e só olha. Daí o comandante vai para a TV dizendo que é disputa de grupos. Se ele fala isso, é sinal que o comando dele está fraco, tem que ser trocado. Se a BM sabe que é isso aí, por que não coíbe esses atos? Por que não revistam menor no Centro? Eles estão deixando os jovens tomar conta. Tem que ter segurança. Ele vai para a TV dizer que o problema é dos pais. Meu filho sempre foi muito bem criado. Ele não era marginal nem ladrão. Eu falhei, não posso dizer que não falhei, faltou acompanhamento. Eu não tinha acesso à privacidade dele. Sabia com quem ele anda, onde ele ia, mas não tinha como saber o que ia acontecer.

Diário — O Dian conhecia o menino que matou ele?

Alessandro — Parece que conhecia, mas não tenho certeza. Como disse, não quero saber detalhes, não leio as notícias, não quero me machucar mais.


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